A noite com gosto de eucalipto.
A lua contrastava com as nuvens e as cores escuras.As árvores me davam um ar e uma angústia que nunca
havia sentido, a não ser nos sonhos.
Não queria sentir, mas estava fascinado.
Estive com medo e estive assustado.
Numa noite fria como aquela antiga mulher que amei,
eu congelei olhando os eucaliptos nervosos e assustadores.
Nem nos meus sonhos as visões do céu eram tão perturbadoras.
As cores daquele céu me deixavam tonto, buscando um escoro onde não tinha.
As nuvens formavam monstros e fantasmas azulados e cinzas, que a lua coloria.
Noite fria e medrosa, a lua me provocava.
Não tinha ninguém, era uma noite que me buscava, que me fitava,
mas só porque era uma noite solitária, queria alguém pra ela.
Voltando pro meu aconchego quente, eu sentia a frieza da noite que ia me gripar.
E idiota, não parava de pensar na minha infância – e não parava de pensar
naquela moça das noites misteriosas como esta.
A noite.

0 resenha(s):