O beijo - II

06:17 João Paulo Jucá 0 Comments

Eu prefiro, muitas vezes, as mujeres que eu nunca beijei. Aliás, as mujeres que eu quase beijei. 

E o que é um beijo assim? É um elo? É como dizem: é um selo. Um contrato oral, literalmente. Acho que eram os reis medievais que davam sua palavra com lábios e saliva. O olhar é sereno, e fica turvo com as gostas de cuspe. Meu abraço é sincero e o adeus sempre foi compreensível... Mas o beijo é meio veneno, embora lindo e bom. O acenar de mãos pra ir embora fica inviável. E tudo por causa de uns movimentos bucais mais estranhos.
O sexo é o pico da intimidade física entre dois. Mas o beijo, o beijo é o início, e o início é crucial e, por vezes, mais perturbador que qualquer resto.
E por que?
Eu não sei muito bem agora. Acho que ontem eu sabia ou saberei depois. Mas sei que muda a relação, mesmo que pareça imperceptível.
Então eu prefiro as mujeres que eu quase beijei, de verdade. Isso porque o sabor do desconhecido é inconfundível e maravilhoso. O 'quase' quase tem essência de baunilha.
É gostoso não passar por arrependimentos e sobretudo não inflar algumas expectativas. Expectativas de um 'quase' são balões enchidos à boca. Do contrário pro nada ou tudo são enchidos a tanques grandes.
Embora eu adore os quase-beijos, eles perdem para os beijos plenos.
E que fique claro que só para eles, só para os completos. Meio-termo tem menos cor.
Beijo de canto de boca em quem a gente pretende é muito bom. Ora rezo pra que não passe disso, ora é preciso que passe mesmo.

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